sexta-feira, 1 de julho de 2011

João de Manezim, o brincante.

porCledimar Ferreira


João de Manezim, em épocas passadas, foi um personagem que fazia de tudo para aparecer e convencer qualquer público que estivesse em sua volta. Um sujeito inteligente, desenrolado, descolada, disposto a fazer de suas habilidades um jeito fácil de viver, e o melhor meio, possível de enfrentar a vida com simplicidade e honestidade.

De carnavalesco a folclorista; de trupizupe a agitador cultural, passando pela política e as atividades esportistas, ele fez de tudo um pouco. Foi dono de time futebol - o São Cristóvão, criou charangas, troças, escolas de samba e o irreverente bloco "o jaraguá"- queixada de um jumento pintada com um corpo em forma de boneco, que puxava um grupo de foliões esfarrapados nos carnavais pelas ruas de Cajazeiras nos anos 70 e 80. 

Andou pelas cidades circunvizinhas, fazendo presepadas e apresentações circenses. Fundou na época das discotecas um clube social no bairro de Capoeiras, onde só havia uma porta que era entrada e saída ao mesmo tempo. Um verdadeiro inferninho cuja maioria dos frequentadores, eram a boêmia da zona sul e, disfarçadamente, madonas da estrada de Jatobá. Para mostrar suas habilidades, costumava fazer exibições diversas em praças públicas e, uma dessas, a de se equilibrar em uma bicicleta.

As fotografias acima mostram umas dessas apresentações. Nas duas imagens em ângulos diferenciados, João expõe seu talento com a bicicleta na Praça Camilo de Holanda, com direito a banquinho e bacia para recolher o dinheiro doado por voluntários. O nosso desenrolado personagem fez uma dessas apresentações para marcar o alargamento da Avenida Padre José Tomaz - trecho da Praça Coração de Jesus a 1ª Igreja Batista. Nessa aparição, ele passou mais de 12 horas, sem parar, pedalando, alegrando os curiosos e circulando no pedaço de rua alargado.

Por tudo que tem feito pela cultura popular de Cajazeiras, o nosso maior "brincante" bem que podia ter em vida (por que não?) uma estátua em praça pública. Uma justa homenagem as suas peripécias folclóricas que alegraram e animaram durante anos gerações de cajazeirenses e cajazeirados.





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